sábado, 3 de maio de 2008

Portfólio - exercício 1


"O cidadão jornalista versus jornalista profissional"

Um novo paradigma está a surgiu nos media – o jornalismo cidadão. Também denominado por citizen jornalism em inglês, ou jornalismo colaborativo, jornalismo participativo ou mesmo jornalismo open source. Por cidadão jornalista, segundo o Wikipédia, entende-se o tipo de jornalismo produzido por cidadãos sem qualquer formação jornalística. O seu conteúdo é idêntico ao do jornalismo profissional, texto, imagem, som ou vídeo. Só que o jornalista cidadão por se encontrar no local do acontecimento capta a informação veiculando através da intenet ou colaborando com um meio de comunicação de massas. Mas poderemos considerar jornalista uma pessoas que tenha capturado imagens e essas tenham sido transmitidas? Ou apenas será considerada uma fonte?

O principal responsável por esta mudança é a evolução tecnológica. O fácil acesso às telecomunicações, como a Internet, telemóveis e câmaras fotográficas e digitais permitem com que o cidadão recolher conteúdos de interesse jornalismo.

Mas segundo o Estatuto do Jornalista: “são considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias e opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação informativa pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por outra forma de difusão electrónica”. (Art. 1º da Lei nº1/99 de 13 de Janeiro).

A função do jornalista profissional é informar com rigor, veracidade e objectividade numa linguagem perceptível por todos. Tem de ter a preocupação de procurar as fontes e confirmar a veracidade dos acontecimentos, identificando-as. Enquanto o cidadão não o faz. Apenas capta a informação e divulga-a. A informação pode ser publicada em blogues, sites, wikis, ou mesmo no “Youtube”.

Assim, o cidadão acaba por se tornar numa fonte do jornalista. Este último usa a informação disponível captada pelas pessoas para complementar a sua. O profissional não pode estar em todo o lado ao mesmo tempo. Já um cidadão que presencie o acontecimento, pode captá-lo através de uma câmara ou de um simples telemóvel com câmara.

Alguns exemplos do jornalismo participativo foram os acontecimentos do 11 de Setembro, o tsunami na Ásia, terramotos, cheias, nevões em locais onde não é normal, entre outros. Cujos jornalistas não estavam presentes e veicularam as imagens captadas por cidadãos. Também, este tipo de jornalismo pode ajudar a denunciar situações incorrectas, como o “caso do telemóvel” da Escola Carolina Michaelis.

Jeff Jarvis acredita que há lugares para todos. Em entrevista ao jornal “PÚBLICO” diz que “há sempre oportunidade para o jornalismo colaborativo, com mais pessoas envolvidas”. Exemplifica que qualquer pessoa pode ser jornalista: “Há pessoas que podem fazer um acto de jornalismo uma única vez na vida. Por exemplo, alguém que no tsunami [no Sudeste asiático] tirou uma foto do que se estava a passar, isso foi um acto de jornalismo”.

O papel do jornalista vai mudar no futuro. Jeff Jarvis afirma que “Temos mais gente a fazer jornalismo, isso pode ser confuso; há um papel para os jornalistas, que é editar, gerir [“curate”], talvez até ser educadores, ajudar as pessoas a fazer jornalismo melhor.”

Os mass media têm de se adaptar às novas tendências, muitos media portugueses já aderiram ao formato online. Quanto ao modo de divulgar notícias pelas intenet, Elisabete Barbosa defende “que não é recomendável utilizar na Internet e no jornalismo online todos os métodos e práticas do jornalismo tradicional”, pois as pessoas lêem na Internet diferente do que nos jornais. O modo de apresentação da informação tem de ser distinta da que aparece nos jornais.

“Se é certo que os jornalistas sempre influenciaram, de alguma forma, os seus leitores, é possível que agora os leitores influenciem os jornalistas, dando-lhe a conhecer novas perspectivas sobre determinados assuntos, fornecendo-lhes informações, sugerindo temas de notícias e reportagens. As fontes dos jornalistas tornam-se, assim, diversificadas”, conclui Elisabete Barbosa.

Alguns mass media já aderiram a esta realidade. A TVI apela através de anúncios televisivos à participação dos cidadãos com o slogan “Se você for o primeiro a chegar ao local, não hesite. Pare, veja e registe o momento. Os seus 'exclusivos' poderão ser notícia TVI!". A SIC já alguns anos que tem a rubrica “Nós por cá” onde as pessoas mandam fotografias de acontecimentos caricatos. Na generalidade, há muitos anos que este género de jornalismo tem aparecido nas nossas televisões ou jornais. Quando o profissional não está presente, alguém há-de ter captado, através do seu telemóvel.

Concluindo, o jornalista profissional por ter estudos na área da comunicação social, sabe as regras e tem de as cumprir senão é penalizado pela entidade reguladora. As regras estão asseguradas no Estatuto do Jornalista e no Código Deontológico, para além das leis de cada meio. Já o não-profissional, o cidadão, como não tem estudos, nem conhecimentos dessas regras, leva vantagem ao profissional, podendo expressar livremente sem ser penalizado.

O jornalista não deve temer o seu futuro, nem o trabalho do cidadão, mas adaptar-se a ele. O profissional e o não-profissional devem complementar-se para fazer um trabalho mais completo e exacto, o que será benéfico para ambos.

Bibliografia:

Barbosa, Elisabete (2001), Interactividade: a grande promessa do Jornalismo Online.
URL: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/barbosa-elisabete-interactividade.html>
(Data de consulta: Abril de 2008)

TVI, “Eu vi”
URL: <http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=934951>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Wikipédia, a enciclopédia livre
URL: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_cidad%C3%A3o>
(Data de consulta: Abril de 2008)

SIC, Jornalismo do cidadão
URL: <http://sic.aeiou.pt/online/jornalismo%20do%20cidadao>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Diário de Notícias, Cidadão jornalista revoluciona media
URL: <http://dn.sapo.pt/2006/06/08/media/cidadao_jornalista_revoluciona_media.html>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Diario de Noticias, TVI propõe transformar cidadãos em jornalistas
URL: <http://dn.sapo.pt/2008/04/06/media/tvi_propoe_transformar_cidadaos_jorn.html>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Jonasnuts, Citizen Journalism - Jornalismo do cidadão
URL: <http://jonasnuts.blogs.sapo.pt/168869.html>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Estatuto do Jornalista
URL: <http://www.ccpj.pt/legisdata/LgLei1de99de13deJaneiro.htm>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Granado, António, Ponto Media (vários artigos)
URL: <http://ciberjornalismo.com/pontomedia/?cat=11>
(Data de consulta: Abril de 2008)

Foto de Fábio Teixeira

1 comentário:

Anónimo disse...

Porque não jornalismo livre em vez de jornalismo open-source? Só está em causa o lado prático, ou as questões morais, sociais e éticas também fazem parte da "salada"?
Caso não faças a mínima ideia do que estou a falar, open-source é o termo usado para o lado prático de ter o código-fonte do software à mostra de todos, enquanto o software livre também aborda todas as questões sociais, éticas, etc, de ter o código visível por todos. Eu sou um membro do movimento Software Livre, criado por Richard Stallman em meados da década de 80.
Se estiveres interessada em saber mais sobre o Software Livre, lê este texto: http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html

Só um jornalista profissional pode produzir informação? Eu não tenho qualquer formação jornalística e já produzi bem mais de dois milhares de textos num dos blogs de tecnologia mais visitados e famosos de Portugal. Claro que não fui ter com todas as fontes para ouvir o seu lado da história, e nem todos os textos eram notícias, mas não sou obrigado a isso - apesar de fazer, na maioria das vezes, uma pesquisa sobre o assunto.

"Assim, o cidadão acaba por se tornar numa fonte do jornalista."
Isto não é totalmente correcto. Para além de fonte, o cidadão também é um produtor de informação. Tudo bem que os jornalistas queiram proteger a sua classe, mas não exagerem.
Eu ainda confio mais na informação escrita por um jornalista que por uma pessoa sem qualquer formação neste campo; mas estou a começar a mudar, porque cada vez mais vejo meias verdades e sensacionalismo produzido por jornalistas profissionais - basta ligar a televisão e ver a TVI ou a SIC, sempre com grandes palhaçadas quando apresentam o "retrato da vida (ir)real".

"Elisabete Barbosa defende “que não é recomendável utilizar na Internet e no jornalismo online todos os métodos e práticas do jornalismo tradicional”, pois as pessoas lêem na Internet diferente do que nos jornais."
Completamente de acordo. A internet têm uma dinâmica muito próprio. Melhor dizendo, tem muitas dinâmicas, todas elas distintas.

"Já o não-profissional, o cidadão, como não tem estudos, nem conhecimentos dessas regras, leva vantagem ao profissional, podendo expressar livremente sem ser penalizado."
Olha que não. Não é por eu não ter formação jornalística que não vou deixar de ser processado por um texto difamatório que publique. A lei aplica-se a todos.

"O jornalista não deve temer o seu futuro, nem o trabalho do cidadão, mas adaptar-se a ele. O profissional e o não-profissional devem complementar-se para fazer um trabalho mais completo e exacto, o que será benéfico para ambos."
Posso dizer "Ámen!"?