quinta-feira, 19 de junho de 2008

Parte II - Culturas diferentes – o mesmo objectivo


Todos os anos o festival de Samuel tem um tema. A temática deste ano foi “Do Entrudo à Páscoa” e as actividades que se faziam nesta época. Por isso, cada grupo encarregou-se de fazer uma reprodução de uma actividade.

“Os grupos do sul e do centro têm muito gosto em aceder ao nosso pedido, os do norte nem tanto”, lamenta a directora do Grupo Etnográfico de Samuel. Ao existir um tema, as tradições vão-se mantendo.

Dito e feito. Só o grupo do norte se limitou a dançar. Enquanto o grupo anfitrião entoou “As Almas”. [ver vídeo abaixo] Do Ribatejo, o rancho rifaram os compadres para decidir os pares no baile.





O jogo do Pucarinho representado pelo rancho oriundo de Viseu. Depois, as mulheres cobriam-se com os xailes negros e cantavam as Três-marias”. Ao Sábado acabava-se a tristeza e no Domingo entoavam as “Aleluias”.

O grupos dos Açores e do Cercal (aldeia vizinha) também aderiram. Anália Gaspar nota que: “conseguimos identificar as nossas raízes cá” e o folclore no continente é mais “corridinho” e mais animado. Devido à invasão espanhola, as músicas e cantares da Ilha Terceira foram influenciadas pelo país vizinho: “O afinar da viola é diferente. Nas oito ilhas a viola tem 12 cordas, na Terceira tem 15”, explica.

No Festival Etnográfico de Samuel também foram representadas as pulhas, a crítica social de há 100 anos atrás. Durante o Entrudo, munidos de funis e telhas, os aldeões subiam aos montes e gritavam para a outra aldeia. [ver vídeo abaixo]





“Não havia jornais, nem televisão e nem havia rádio. As pessoas durante o ano inteiro guardam tudo aquilo que tinham contra uns e contra outros”, explica Horácia Pedrosa.


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