sábado, 24 de janeiro de 2009


“Todos nós só temos uma única oportunidade para causar uma boa primeira impressão”

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cultura Popular


Está bem e recomenda-se


Está aberta a época das festividades: arraiais, festivais, encontros, santos populares, tudo é motivo para mostrar o melhor da cultura popular portuguesa. De Maio a Setembro são muitos os encontros de etnografia e folclore realizados por todo o país.

Reportagem por Ana Coelho


Parte I - Todos temos folclore dentro de nós


O XIX Festival Etnográfico de Samuel é mais uma das demonstrações de cultura popular que proliferam por esta altura. Na edição deste ano estão presentes seis grupos de várias regiões do país. Desde o Douro ao Ribatejo, até aos Açores.

A subdirectora do Grupo Folclórico da Casa do Povo de São Brás, da Ilha Terceira nos Açores, Anália Gaspar, acredita que “quem não conhece as suas raízes e não admira as suas tradições, não se conhece a si próprio”. E isso é o folclore.

A tradição já não é o que era, mas para a presidente da direcção do Grupo Etnográfico de Samuel, Horácia Pedrosa o folclore nunca se vai perder: “Tive um amigo que dizia que o folclore e a cultura popular era a universidade do povo”. Defende que, apesar da mudança, os grupos de folclore nunca vão deixar morrer a tradição.


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Parte II - Culturas diferentes – o mesmo objectivo


Todos os anos o festival de Samuel tem um tema. A temática deste ano foi “Do Entrudo à Páscoa” e as actividades que se faziam nesta época. Por isso, cada grupo encarregou-se de fazer uma reprodução de uma actividade.

“Os grupos do sul e do centro têm muito gosto em aceder ao nosso pedido, os do norte nem tanto”, lamenta a directora do Grupo Etnográfico de Samuel. Ao existir um tema, as tradições vão-se mantendo.

Dito e feito. Só o grupo do norte se limitou a dançar. Enquanto o grupo anfitrião entoou “As Almas”. [ver vídeo abaixo] Do Ribatejo, o rancho rifaram os compadres para decidir os pares no baile.





O jogo do Pucarinho representado pelo rancho oriundo de Viseu. Depois, as mulheres cobriam-se com os xailes negros e cantavam as Três-marias”. Ao Sábado acabava-se a tristeza e no Domingo entoavam as “Aleluias”.

O grupos dos Açores e do Cercal (aldeia vizinha) também aderiram. Anália Gaspar nota que: “conseguimos identificar as nossas raízes cá” e o folclore no continente é mais “corridinho” e mais animado. Devido à invasão espanhola, as músicas e cantares da Ilha Terceira foram influenciadas pelo país vizinho: “O afinar da viola é diferente. Nas oito ilhas a viola tem 12 cordas, na Terceira tem 15”, explica.

No Festival Etnográfico de Samuel também foram representadas as pulhas, a crítica social de há 100 anos atrás. Durante o Entrudo, munidos de funis e telhas, os aldeões subiam aos montes e gritavam para a outra aldeia. [ver vídeo abaixo]





“Não havia jornais, nem televisão e nem havia rádio. As pessoas durante o ano inteiro guardam tudo aquilo que tinham contra uns e contra outros”, explica Horácia Pedrosa.


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Parte III - A tradição não é para velhos


Quando se pensava que a tradição estava perdida, esta revelou-se estar na moda. “Temos muita gente, até temos um problema: não podemos pedir nunca o autocarro da câmara que não cabemos lá”, revela a directora do grupo anfitrião, Horácia Pedrosa.

Alguns grupos asseguram a continuidade através dos filhos, netos e sobrinhos, como é o caso do grupo açoriano: “Antes de virem para o grupo, já sabem cantar e dançar”, confessa Anália Gaspar.

“As pessoas entendem e vão percebendo onde está a verdade folclórica”, explica assim Horácia Pedrosa a grande adesão por parte do público que vem ver os espectáculos.



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Parte IV – Incentivar a etnografia e o folclore


A Câmara Municipal de Soure é um exemplo de que há incentivos para que a cultura popular permaneça. No concelho existem 16 grupos de folclore e a Câmara Municipal tem uma grelha de apoio.

A Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Soure, Ana Maria Treno enumera os apoios que dão [ouvir]: todos os meses os grupos recebem um subsídio, os festivais também são apoiados. Há ainda um subsídio ao investimento de infra-estruturas e viagens ao estrangeiro.

Por outro lado, na ilha Terceira a Casa do Povo de São Brás que tutela o Grupo Folclórico não tem dado nenhum apoio. “Nós que é temos tratado do grupo e temos procurado informação para que o que é transmitido seja verdadeiro”, exemplifica Anália Gaspar.



Ana Treno

Parte V – Uma cultura rica


Para a Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Soure, é importante incentivar os grupos “estes apoios são importantes em termos de abertura do horizonte das pessoas”. Há elementos dos grupos com menos possibilidades que não podem viajar tanto, “é importante conhecerem novas realidades que não aquelas do nosso cantinho”.

Mónica Almeida, estudante de Medicina em Coimbra, considera que é importante andar no rancho: “Comecei quando tinha quatro anos e continuei. Os meus pais sempre cá andaram”.

Concilia os estudos com o Rancho Folclórico do Cercal, a banda filarmónica e com o teatro, quando existia. Explica “quando fazemos com gosto, fazemos bem” e com o rancho “conhecemos muitos sítios”.

O rancho dos Açores está pela primeira vez em Portugal Continental. Anália Gaspar, considera que “o passeio está a ser muito positivo e o intercâmbio muito rico”, acrescenta ainda “os locais vistos a olho é outra forma de cultura. Muito mais rica e bonita”.

Horácia Pedrosa conclui que “o folclore não se extingue, ele é a nossa tradição e está dentro de nós. São os nossos avós, os nossos tetravôs, e por ai fora”.


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